Editorial | ONAS-Covid19 | 12.04.2020 | Passada a pandemia, voltaremos ao normal?

Finalizamos a segunda semana do ONAS-Covid19 acompanhando a evolução da pandemia no Brasil com mais seis textos de análise produzido pela nossa equipe de pesquisadores e colaboradores. Vale destacar a repercussão das análises produzidas no âmbito deste nosso projeto. Foram diversas entrevistas e inserções em jornais de notícias e programas de TV que se basearam nos estudos desenvolvidas no âmbito do ONAS-Covid19.

Clique no link e confira as matérias que repercutiram nossas análises na imprensa: Jornal Estado de Minas | Cidade Alerta, TV Tropical | Notícias da Manhã, TV Ponta Negra | RN no Ar, TV Tropical | Tribuna do Norte | Noticias UFRN 08.04 | Notícias UFRN 07.04 | Notícias UFRN 06.04 | Notícias UFRN 03.04 | Notícias UFRN 01.04 | Notícias UFRN 31.03| Portal N10 RN | Agência Saiba Mais | Potiguar Notícias | NossaCiência | Blog do BG

Em relação à evolução da pandemia, o país superou a marca de 20 mil casos confirmados e 1 mil mortes pela Covid-19. No Rio Grade do Norte, o número de casos confirmados atinge cerca de 300 e 13 mortes. Dentre os casos confirmados, deve-se ressaltar a intensificação do processo de interiorização, pois já é significativo o número de casos confirmados em municípios de menor tamanho populacional. A situação de enfrentamento nesses pequenos municípios pode ser agravada pela condição de menor infraestrutura de saúde.

Essa semana também teve início o pagamento do auxílio emergencial do governo federal para a população mais vulnerável e estima-se que no Nordeste a população atendida possa chegar a algo em torno de 8 milhões de pessoas. Mas há que se tomar muito cuidado na operacionalização do recebimento desse benefício por parte de boa parte da população no interior no Nordeste, pois cerca de 1,2 milhões de pessoas vivem em municípios onde não há agência ou posto bancário. E, portanto, se verão obrigados a se deslocar para outro município para conseguir retirar esse benefício, aumentando a circulação de pessoas e aglomerações em locais específicos.

E o isolamento social é um dos pontos de destaque essa semana. O desenvolvimento de um indicador a partir do banco de dados do histórico de localização do Google foi um dos textos que tiveram grande repercussão. Considerado como a única medida efetiva para reduzir o ímpeto da evolução da Covid-19, o pedido de que as pessoas fiquem em casa também tem consequências na segurança da população. Por um lado, a menor circulação de pessoas nas ruas tende a contribuir com a redução da violência de um modo geral. Mas, por outro lado, tem sido um dos desafios para enfrentar um outro tipo de violência que ocorre justamente na privacidade dos lares: a violência doméstica (especialmente contra a mulher).

Boa parte das análises desenvolvidas no nosso observatório são carências, vulnerabilidades e condições relacionadas à população que já existiam antes da pandemia. A violência doméstica, por exemplo, sempre foi um desafio para enfrentamento de políticas públicas, mudança social e até mesmo de análise dos dados. A ausência de uma rede bancária de maior cobertura já dificultava a vida da população nos municípios mais afastados dos grandes centros urbanos. Enfim, o que buscamos ressaltar aqui são as complicações inerentes à uma situação emergencial e sem precedentes sobre a qual as instituições públicas e privadas estão tentando se adaptar urgentemente.

Mas passada toda essa situação, quando desenvolverem uma vacina ou um medicamento definitivo para evitar as complicações da Covid-19, será que vamos voltar ao normal? Não há como termos certeza dos impactos na economia, sociedade ou demografia decorrentes desse momento. Mas diante de todas as análises que estamos evidenciando aqui e percebendo que boa parte delas são desafios e carências pré-existentes, talvez o ideal não seja voltar ao “normal”! O que precisamos mesmo é abrir os olhos para os silêncios e invisibilidades que guardávamos e só uma situação generalizada de caos pôde jogar alguma luz. Enfim, são desafios que se já tivessem sido enfrentados, nos permitiriam passar por essa com menos baixas.

Editorial | 12.04.2020 | Ricardo Ojima | Coordenador do ONAS-Covid19 | Programa de Pós-Graduação em Demografia | Universidade Federal do Rio Grande do Norte | Passada a pandemia, voltaremos ao normal?

Confira essa e outras análises demográficas também no ONAS-Covid19 [Observatório do Nordeste para Análise Sociodemográfica da Covid-19] https://demografiaufrn.net/onas-covid19

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