Tendências de circulação de pessoas segundo relatórios de movimentação da Apple para Brasil e América do Sul

Desde o início da pandemia, algumas empresas de tecnologia têm disponibilizado informações sobre movimentação de pessoas com base em dados de geolocalização de dispositivos móveis, e elas têm sido úteis para o monitoramento do distanciamento social por parte de governos e sociedade civil. Passados cerca de seis meses desde a confirmação do primeiro caso de coronavírus no mundo, enquanto não se descobre uma vacina para essa doença, a adoção de intervenções não farmacêuticas são as únicas alternativas para tentar conter o avanço da pandemia. Segundo dados da OMS, até o dia 10 de junho o coronavírus produziu mais de 413 mil mortes em todo o planeta.

Em abril a Google começou a divulgar relatórios de mobilidade comunitária para um conjunto de 132 países (e regiões de vários destes países, assim como condados e províncias), em que é possível obter diariamente a variação na circulação de pessoas para seis grupos de localidades,  tendo como referência o período de 3 de janeiro a 6 de fevereiro.  Em iniciativa similar, a Apple também disponibiliza informações agregadas e anonimizadas em que é possível captar tendências de circulação das pessoas durante a pandemia. Com base nas solicitações diárias de usuários do aplicativo Mapas da Apple por rotas de viagens, obtém-se a variação no deslocamento de pessoas dirigindo, caminhando ou utilizando transporte público para um conjunto de 63 países e algumas cidades. Assim como utilizado pela Google, as informações de variação na mobilidade da Apple se referem a uma data de linha de base: 13 de janeiro de 2020.

A Figura 1 apresenta a tendência de deslocamentos na modalidade ‘dirigindo’ para o Brasil em comparação à Argentina e ao Chile do dia 13 de janeiro a 09 de junho. Para ambos os países, a redução na circulação ocorre aproximadamente após a segunda quinzena de março quando foram anunciados decretos de distanciamento social no Brasil e no Chile, e de lockdown na Argentina. No caso do Brasil, que representa um país de maior território e com medidas de distanciamento social menos rígidas sobretudo em comparação com a Argentina,  verificou-se um nível de circulação de pessoas dirigindo bem superior. No caso do Chile, a redução na tendência observada em maio pode ser uma decorrência do anúncio de lockdown na região metropolitana de Santiago no dia 15 daquele como uma tentativa de conter o número crescente de casos de COVID-19 naquele país. Analisando a tendência de deslocamentos na modalidade ‘caminhando’, o mesmo padrão de mobilidade para os três países analisados se confirmou.

Figura 1
Figura 2

A Figura 3 apresenta as tendências de nove capitais do Brasil (Belo Horizonte, Curitiba, Fortaleza, Goiânia, Porto Alegre, Rio de Janeiro e São Paulo) e da Argentina (Buenos Aires) e Chile (Santiago) para a categoria ‘dirigindo’ da Apple. Verifica-se para a maior parte do tempo desde a segunda quinzena de abril um menor nível de circulação para Buenos Aires e um maior nível para Goiânia. A Argentina decretou lockdown em 20 de março, e embora algumas medidas de relaxamento deste decreto tenham sido feitas em algumas regiões do território argentino, ele estava prorrogado até o dia 28 de junho. A capital Santiago que vinha apresentando tendência de crescimento na circulação de pessoas, igualou o seu nível de variação na mobilidade com a capital Buenos Aires ao final de maio, porém, em junho, a tendência para essa cidade voltou a ser de aumento. Em 9 de junho, final do período em análise, o governo chileno decretou medidas mais duras como o fechamento total de novas regiões administrativas chilenas em face do aumento do número de casos e de óbitos por COVID-19.

Figura 3

Além de Goiânia, as capitais brasileiras com maior nível de circulação foram Porto Alegre, Belo Horizonte e Curitiba. Capitais já duramente afetadas pela COVID-19 como Fortaleza, São Paulo e Rio de Janeiro se situaram em patamares menores de  mobilidade considerando a modalidade ‘dirigindo’. É possível que em locais com maior espraiamento da doença os indivíduos guardem mais as recomendações para que se faça o distanciamento social. No caso de Fortaleza, em particular, o Decreto Municipal N° 14.699  de 07/06/2020 prorrogou o distanciamento social até o dia 14 de junho, porém, com previsão de abertura econômica gradual para alguns setores da cadeia produtiva, shoppings centers e cartórios. A capital fluminense junto com a capital paulista foram as cidades brasileiras que alcançaram índices de variação nas solicitações de rotas para essa modalidade mais próximos aos das capitais Buenos Aires e Santiago ao final do período. Porém, para as duas maiores cidades do país a tendência na circulação era de crescimento em junho.

Quando analisada a variação de mobilidade utilizando a categoria ‘caminhando’, as diferenças entre as capitais analisadas diminuíram, ainda que Buenos Aires tenha se mantido como a cidade de menor nível de circulação e Goiânia a maior (Figura 4).

Figura 4

Para essa categoria de mobilidade de usuários do aplicativo da Apple, São Paulo e Rio de Janeiro também se situaram entre as capitais com menor nível de circulação. Já Fortaleza e Porto Alegre apresentaram tendência mais clara de crescimento para esse tipo de mobilidade, sobretudo a partir de junho. No Rio Grande do Sul, o Decreto 55.240, de 10 de maio 2020 instituiu o distanciamento controlado, que relaxou algumas medidas para determinados municípios, como a própria capital gaúcha, classificada por esse decreto como de risco médio para o novo coronavírus.

@isola_ai: soluções interdisciplinares para a pandemia por COVID-19

Confira essa e outras análises demográficas também no ONAS-Covid19 [Observatório do Nordeste para Análise Sociodemográfica da Covid-19] https://demografiaufrn.net/onas-covid19

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