Pesquisa desenvolvida no Programa de Pós-graduação em Demografia da UFRN mapeia a estrutura etária da região e alerta que, apesar do aumento da população em idade ativa, o aproveitamento do bônus demográfico esbarra na baixa oferta de postos de trabalho formais
A transição demográfica brasileira não ocorre de maneira uniforme em todo o território nacional, revelando nuances importantes quando observada em escalas regionais. Um estudo recente, conduzido pelo pesquisador e egresso do Programa de Pós-graduação em Demografia (PPGDem) da UFRN, Jonilson de Souza Figueiredo, sob a orientação da professora Luana Junqueira Dias Myrrha, investigou essa dinâmica no Semiárido Setentrional. A pesquisa mapeou a estrutura etária da região e revelou como os municípios estão vivenciando a janela demográfica e a inserção no mercado de trabalho formal.
A janela demográfica é um período favorável em que a proporção de pessoas em idade ativa supera a de dependentes, como crianças e idosos, criando um cenário propício para o crescimento econômico. A análise, baseada em dados censitários de 2000 a 2022, confirma que essa tendência no Semiárido Setentrional não é homogêneo, abrigando pelo menos duas realidades distintas: um estrato mais jovem e outro mais envelhecido. No Semiárido envelhecido, a janela de oportunidade se abriu em 2005, enquanto no estrato rejuvenescido, esse processo teve início um pouco mais tarde, por volta de 2009.

Apesar do aumento da população em idade de trabalhar, o aproveitamento desse bônus demográfico esbarra na fragilidade econômica local. Utilizando o Índice de Emprego Formal (IEF), os pesquisadores constataram que a absorção dessa mão de obra ainda é incipiente. Em 2021, o índice foi de apenas 11,8% no Semiárido envelhecido e de 12,4% no rejuvenescido. Isso significa que, em média, apenas doze em cada cem pessoas em idade ativa possuíam vínculo de emprego formal na região.
O impacto social desta pesquisa reside na urgência de alinhar as políticas públicas às especificidades demográficas de cada localidade, superando abordagens padronizadas. Para as áreas mais jovens, é fundamental expandir o acesso à educação de qualidade e fomentar a inserção produtiva. Já nos municípios envelhecidos, os desafios concentram-se na adaptação dos sistemas de saúde e previdência social, além do reforço nas políticas de cuidado de longo prazo para a população idosa. Em ambos os cenários, sem a criação efetiva de postos de trabalho e qualificação profissional, o crescimento da população ativa pode se traduzir em desemprego e agravamento das desigualdades regionais.
O estudo ressalta que o bônus demográfico não é um ganho automático, mas uma oportunidade temporária que requer ação institucional ágil e investimentos estratégicos. Diante desse cenário complexo de transição, resta a reflexão: até que ponto o planejamento estatal será capaz de transformar o potencial da estrutura etária regional em verdadeiro desenvolvimento socioeconômico antes que essa janela se feche de maneira definitiva?.
Leia mais na Revista Brasileira de Estudos Urbanos e Regionais, pode ser acessado pelo link: https://rbeur.anpur.org.br/rbeur/article/view/7928





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