A oficina sobre Seca e Mobilidade Humana no Brasil ocorreu nos dias 6 e 7 de julho, na cidade de Olinda, em Pernambuco. O evento foi organizado pela Agência da ONU para as Migrações (OIM) e pela Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), configurando-se como um marco preparatório para a COP17 da Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (UNCCD). O encontro reuniu especialistas de instituições de pesquisa e membros de comunidades do Semiárido e da Amazônia, com o objetivo de construir estratégias conjuntas de enfrentamento aos eventos climáticos extremos.

Do ponto de vista demográfico, o entendimento desses fenômenos é urgente. Historicamente, o Semiárido brasileiro é marcado por períodos prolongados de escassez hídrica que desencadeiam fortes movimentos migratórios e afetam diretamente a estabilidade alimentar e as condições de vida locais. Paralelamente, o avanço das mudanças climáticas e da degradação ambiental na Amazônia tem gerado novos e complexos cenários de vulnerabilidade. Esses fatores alteram a dinâmica da mobilidade humana na região, resultando tanto no deslocamento forçado quanto na imobilidade de populações indígenas e ribeirinhas.
Para contribuir com essa análise técnica, o professor do Programa de Pós-Graduação em Demografia (PPGDEM) da UFRN, Victor Hugo Diógenes, participou do encontro como representante das instituições de pesquisa. Avaliando as discussões propostas, o pesquisador pontuou que “o evento é muito pertinente por colocar no centro do debate a necessidade de compreender como a seca no Norte e no Nordeste pode impactar os movimentos migratórios e as condições de permanência das populações em seus territórios”.
Os diálogos e grupos de trabalho realizados visam produzir subsídios sólidos para apoiar a tomada de decisão e os diálogos durante a COP17 da UNCCD que está agendada para acontecer na Mongólia, de 17 a 28 de agosto de 2026. Garantindo que as realidades demográficas e sociais do Semiárido e da Amazônia sejam devidamente contempladas, “destaca-se a importância da participação social e da escuta das comunidades tradicionais na formulação de políticas públicas mais justas, territorializadas e efetivas”, comentou Victor Diógenes. A formulação de políticas de adaptação exige a ampliação da representatividade das vozes afetadas e a aplicação de metodologias científicas para mapear esses fluxos populacionais. O evento contou, ainda com a presença do egresso do PPGDem, Isac Correia, docente da Universidade Federal do Amazonas, entre os especialistas ligados à pesquisa.





Deixe um comentário