Estudo demográfico analisa como a idade, o período histórico e a geração de nascimento afetam a intensidade do uso de eletricidade nos domicílios brasileiros

Um artigo científico publicado na Revista Brasileira de Estudos de População (REBEP) investigou as variáveis sociodemográficas na interação do consumo de energia elétrica domiciliar como mediador da relação entre população e meio ambiente por meio da análise de microdados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) do IBGE. A pesquisa foi desenvolvida pelo docente do PPGDem, Victor Hugo Dias Diógenes, e desenvolvida a partir da sua tese de doutorado defendida no Programa de Pós-Graduação em Demografia (PPGDem) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Além de Diógenes, o artigo também é assinado pelo docente do PPGDem, Ricardo Ojima, e o pesquisador do Sebrae, Rumenick Pereira da Silva.

Para identificar os determinantes temporais do consumo doméstico, os autores aplicaram a modelagem demográfica de Idade-Período-Coorte (APC) para separar os efeitos de três fatores concomitantes: o envelhecimento das famílias, as condições históricas e econômicas de um determinado intervalo de tempo e o impacto das experiências compartilhadas por grupos de indivíduos nascidos na mesma época. A técnica contribui para uma análise empírica para avaliar as flutuações do metabolismo domiciliar do consumo de energia elétrica ao longo do tempo.

As estimativas dos modelos indicam que o envelhecimento do chefe do domicílio está correlacionado ao aumento do consumo de energia elétrica per capita. A explicação demográfica para essa tendência reside nas alterações do ciclo de vida familiar, pois o número de moradores na residência tende a diminuir com o envelhecimento da estrutura familiar, o que minimiza a economia de escala no uso de recursos e equipamentos domésticos. Paralelamente, o estudo confirmou um efeito de período, com o aumento da intensidade do uso de energia na totalidade dos domicílios entre os anos de 2002 e 2017.

A pesquisa também apontou diferenças baseadas nas coortes de nascimento. As pessoas nascidas a partir da década de 1960 registram uma intensidade de consumo de eletricidade inferior à das gerações anteriores. Os dados sugerem que essa variação não decorre exclusivamente de mudanças no comportamento sobre o consumo sustentável, mas é guiada por fatores materiais, como o processo de urbanização em imóveis residenciais de menores proporções e a substituição progressiva por equipamentos elétricos com matriz tecnológica de maior eficiência.

A inclusão das variáveis etárias e geracionais nas projeções de demanda elétrica configura uma abordagem relevante para o planejamento energético nacional em substituição a leituras que levam em conta o crescimento da população como variável de interesse no aumento do consumo. Diante de uma transição demográfica caracterizada pela retração do tamanho das famílias, cabe a provocação a respeito de como as políticas públicas poderão antecipar as mudanças na composição dos domicílios para formular estratégias objetivas de mitigação climática no setor residencial. Enfim, mais do que o tamanho da população, características como idade, período de análise ou coorte de nascimento, parecem ter mais poder explicativo para entender as mudanças no padrão de consumo.

Para ler o artigo completo:

DIÓGENES, V. H. D.; OJIMA, R.; SILVA, R. P. DA . Efeitos de idade, período e coorte no consumo de energia elétrica dos domicílios brasileiros no século XXI: uma análise sob a perspectiva da relação população-consumo-ambiente. Revista Brasileira de Estudos de População, v. 43, p. e0337, 2026. 

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