Rasgaí discute perfil dos migrantes internacionais com motivo de estudos no Brasil

Entender a mobilidade internacional para estudo ajuda a compreender a posição estratégica de um país no cenário global. O Brasil é um destino importante para países Africanos e Sul-Americanos, mas a atração ainda é tímida.

No episódio #26 do Rasgaí conversamos com a Karenine Oliveira Lago que é graduada em turismo e mestre em demografia pelo Programa de Pós-Graduação em Demografia da UFRN. Ela defendeu em 2020 a dissertação: “Migração internacional com fins de estudo: uma análise contextual do perfil dos estudantes estrangeiros no Brasil no período recente”, sob orientação do docente Wilson Fusco. A migração é a mais complexa das componentes da dinâmica demográfica, pois diferentemente da natalidade e da mortalidade, não tem uma definição única. Depende do recorte espacial privilegiado na análise (por exemplo, se é entre municípios, entre estados, entre países). Assim, em um estudo podemos considerar migrantes aqueles que mudam de um município para outro, mas em outro, desconsideramos esses movimentos, pois nos interessa apenas aqueles que saíram de um país para outro. É também um componente que responde rapidamente ao contexto social e econômico e, se comparado à natalidade e mortalidade, pode mudar de direção e intensidade em um curtíssimo período de tempo. Assim, está também muito sujeito à diretrizes políticas. Como é o caso das políticas de intercâmbio internacional estudantil.

Há quem possa considerar que essa mobilidade não possa ser considerada migração no seu sentido mais restrito, pois haveria uma mudança de local de residência temporária durante o período de realização dos estudos. Entretanto, são fluxos de movimentos de pessoas que constituem redes de importantes aspectos sociais, econômicos e geopolíticos, principalmente quando considerados os fluxos internacionais. Assim, entender essa mobilidade motivada por estudo é uma agenda relevante para pensar a posição do país no contexto internacional. Conforme a pesquisa de Karenine, a China era o terceiro país no ranking de receptores de estudantes internacionais em 2019, mas não figurava entre os 10 principais destinos no início dos anos 2000. Houve uma política intencional de atração de pesquisadores e estudantes que vem mudando as direções e a posição estratégica do país no cenário global também em termos educacionais.

No Brasil, em 2018, o Censo da Educação Superior registrava uma participação muito pequena (0,2%) de estudantes estrangeiros lotados em Instituições de Ensino Superior. 44% deles são provenientes das Américas, com maior incidência nos países da América do Sul. 28% são provenientes dos países da África, com destaque para Angola e Guiné-Bissau. Quando são considerados apenas os estudantes convênio PEC-G, a predominância é de estudantes dos países Africanos (58%). O programa convênio PEC-G é uma forma de ingresso de estudantes estrangeiros em que as inscrições são feitas nas representações diplomáticas brasileiras no país de origem do candidato – países em desenvolvimento com os quais o Brasil mantém acordo educacional visando à formação de recursos humanos. Outras políticas também induziram a atração de estudantes para estrangeiros para o Brasil como, por exemplo, a criação da UNILA e UNILAB. Entretanto, segundo o estudo de Karenine, o país ainda está longe de ser um destino importante para estudantes internacionais.

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