Episódio #25 do Rasgaí: as mulheres tem tantos filhos quanto desejam?

No imaginário da sociedade, há uma ideia de que a quantidade de nascimentos da população ainda é muito alta e que seria necessário medidas de controle da natalidade para evitar problemas sociais, econômicos e ambientais. Essa ideia é antiga e, em grande medida, está apoiada no argumento de Thomas Malthus que, na virada do século 18 para o 19, propôs uma teoria de população onde a população cresceria em progressão geométrica e a capacidade de produzir alimentos, numa progressão aritmética. Baseado nesse argumento, se não controlássemos o crescimento da população, não haveria futuro possível para o mundo. O que Malthus não previu foi que teríamos avanços tecnológicos para um ganho de produtividade da produção de alimentos e, principalmente, que haveria um processo de transição demográfica. Ou seja, a passagem de altas taxas de mortalidade e natalidade para um segundo momento, com baixas taxas de mortalidade e natalidade. Sendo que no interstício entre esses dois momentos, quando a mortalidade cai primeiro e a natalidade se mantém elevada, haveria um período de crescimento populacional mais intenso. Enfim, existem diversas discussões importantes sobre esse tema e que, com certeza, voltarão a ser discutidos aqui no nosso podcast. Mas considerada essa transição demográfica, uma das perguntas importantes é saber se as mulheres têm tantos filhos quanto desejam?

O episódio #25 do Rasgaí conversou com a pesquisadora e docente da Escola Nacional de Ciências Estatísticas (ENCE/IBGE), Angelita Alves de Carvalho. Ela falou conosco sobre o déficit de fecundidade na América Latina. Entre a década de 1960 e os dias atuais, o número médio de filhos por mulher na região passou de cerca de 6 para menos de 2. Uma queda na fecundidade muito importante em um curto período de tempo se comparado à outras regiões do mundo (aproximadamente metade do tempo que o mesmo processo na Europa, por exemplo). Essa discussão foi feita no artigo “Panorama del déficit de fecundidad en América Latina a partir de dos indicadores”, publicado na revista Notas de Población, em 2020.

Os resultados mostram que existe um déficit da fecundidade na região, ou seja, as mulheres têm menos filhos do que desejam. E isso acontece com maior intensidade em países onde o número médio de filhos por mulher (taxa de fecundidade total) é mais baixa e nos países onde há maiores desigualdades de gênero. O estudo comparou 14 países latinoamericanos que dispunham de pesquisas nacionais com quesitos que perguntavam para as mulheres em idade reprodutiva sobre a sua intenção de ter filhos no futuro e a sua percepção sobre o número ideal de filhos. A partir dessas informações foram construídos dois indicadores para comparar os países em termos do que seria o deficit. Ou seja, a combinação da análise dos dois indicadores, levando em conta a diferença entre o ideal/planejado pelas mulheres e o efetivo número de filhos que as mulheres em idade reprodutiva têm.

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