Territórios, Violências e Letramento: luta contra a LGBTQIA+fobia no RN

A análise da distribuição espacial da violência revela como o preconceito molda o território e afeta a dinâmica demográfica de grupos vulneráveis no Rio Grande do Norte. No contexto das atividades alusivas ao Dia Internacional de Luta contra a LGBTQIA+fobia (17 de maio), a edição 106 das Quartas Demográficas vai trazer um debate sobre como a violência não ocorre de forma isolada, mas está intrinsecamente ligada à organização do espaço escolar e urbano. O mapeamento dessas ocorrências evidencia que a exclusão territorial impacta diretamente a circulação, o bem-estar e a segurança dessa população em diferentes regiões do estado.

No ambiente educacional, o fenômeno do bullying e da exclusão sistemática atua como um fator de expulsão demográfica, comprometendo a permanência e o sucesso escolar de jovens LGBTQIA+. Para debater esses desafios sob uma perspectiva de letramento científico, será realizada no dia 20 de maio, às 14h00, a palestra intitulada “Territórios da LGBTQIA+fobia: uma leitura geográfica das violências no espaço escolar e no contexto potiguar”.

Uma abordagem demográfica dos processos de exclusão, vulnerabilidade e interseccionalidades permitiria identificar que essas formas específicas de violência não possuem apenas um impacto individual, mas geram reflexos na composição socioeconômica e demográfica. Quando determinados grupos são impedidos de transitar livremente ou de ocupar espaços públicos devido ao medo da violência, ocorre uma segregação espacial que aprofunda as vulnerabilidades. A palestra busca elucidar esses fluxos, utilizando dados e pesquisas locais para fundamentar a necessidade de um olhar mais atento das políticas públicas para essas especificidades territoriais.

A integração entre a produção acadêmica e a defesa dos direitos humanos é fundamental para transformar as instituições de ensino em territórios de inclusão efetiva. Ao tratar a escola e a cidade como espaços de direito, as pesquisas colaboram para reverter cenários de marginalização que historicamente afetam os indicadores de desenvolvimento humano no estado. A participação de pesquisadores, estudantes e da comunidade em geral nessas discussões fortalece a base de evidências necessária para a formulação de intervenções que combatam a LGBTQIA+fobia estrutural servindo como um importante momento de letramento sobre grupos populacionais tradicionalmente invisibilizados pela sociedade.

Este debate reafirma o papel social do Programa de Pós-Graduação em Demografia da UFRN na promoção e defesa de uma cidadania plena e no respeito à diversidade. O evento contribui para uma compreensão mais profunda das dinâmicas populacionais contemporâneas e as desigualdades sociais de longa data que marcam o cenário sociopolítico atual. Espera-se que, por meio do diálogo científico e do fortalecimento do letramento sobre o tema, seja possível avançar na construção de territórios onde a segurança e os direitos humanos sejam garantidos, independentemente de sua orientação sexual ou identidade de gênero.

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