A base do debate foi a tese de doutorado de Alberto Alexandre Lima de Almeida, egresso do doutorado em Demografia da UFRN. A pesquisa analisou os índices de reprovação e evasão entre alunos dos cursos técnicos integrados ao ensino médio do IFRN, comparando a realidade de estudantes cotistas e não cotistas. Para isso, o estudo acompanhou uma turma que ingressou em 2019 e deveria se formar em 2022, permitindo observar o cenário antes, durante e após o período mais agudo da pandemia e do ensino remoto. A metodologia foi robusta, combinando dados quantitativos do sistema acadêmico com entrevistas qualitativas para entender as vozes e os motivos por trás dos números.
Um dos achados mais intrigantes da pesquisa foi que, durante as aulas remotas, a diferença nos índices de reprovação por nota entre cotistas e não cotistas diminuiu. Isso não significa que a desigualdade desapareceu, mas sim que as dificuldades do ensino remoto impactaram a todos, como revelou a pesquisa do Alberto e ressaltado por ele na sua participação deste episódio do Rasgaí. As entrevistas qualitativas mostraram que, enquanto alunos não cotistas apontavam a falta de concentração como principal obstáculo , os alunos cotistas enfrentavam um agravante: a ausência de um ambiente de estudo adequado e a necessidade de conciliar as aulas com afazeres domésticos, revelando como os fatores socioeconômicos pesaram de forma considerável.

A pesquisa também reforçou como a reprovação e a evasão frequentemente caminham juntas. Muitos alunos relataram que o desestímulo causado por uma reprovação anterior foi o gatilho para abandonar os estudos. Em meio a esse cenário desafiador, o estudo aponta um fator de mitigação crucial: o auxílio digital oferecido pela instituição. Alberto foi enfático ao afirmar que, sem o suporte para aquisição de equipamentos e acesso à internet, os índices de reprovação e evasão teriam sido consideravelmente maiores, especialmente entre os estudantes mais vulneráveis.
Por fim, a discussão no Rasgaí nos lembra da importância social e demográfica de estudos como este. O Brasil atravessa uma “janela de oportunidades”, com uma grande população jovem que precisa de qualificação para impulsionar a economia e garantir uma melhor qualidade de vida. Pesquisas que avaliam os acertos e erros durante a crise pandêmica fornecem um verdadeiro farol , oferecendo subsídios para que, em futuras situações de isolamento, as políticas públicas sejam mais eficientes. Fica a reflexão: estamos usando o aprendizado da pandemia para construir uma educação mais resiliente e, acima de tudo, mais justa?






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