A Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) através da Pró-Reitoria de Pesquisa (Propesq) divulgou essa semana (05) o resultado final de um edital de fomento à pesquisa voltado, exclusivamente, à pesquisadoras mães. O Edital 02/2024 foi lançado em março de 2024 com o objetivo explicito de reduzir as assimetrias de gênero no contexto da atividade científica e acadêmica dentro da UFRN. Diversas pesquisas mostram evidencias de que há queda da produtividade científica nos anos após o nascimento ou adoção de filhos, reduzindo a competitividade de pesquisadoras que se tornam mães ao longo da sua carreira. Foram aprovadas 25 propostas, dentro de uma demanda de 122.

A docente do Programa de Pós-Graduação em Demografia (PPGDem), Luana Myrrha, foi uma das contempladas dentro da área de Ciências Exatas, da Terra e Engenharias, com o projeto “O futuro das trabalhadoras domésticas brasileiras nas idades avançadas”. Participam do projeto a docente Jordana Cristina de Jesus, também do PPGDem, e a docente Anna Barbara Araujo Talone, do Departamento de Ciências Sociais da UFRN. O objetivo do projeto é analisar as possibilidades de acesso à aposentaria ou benefícios assistenciais e das condições de saúde entre as trabalhadoras domésticas brasileiras.

O projeto aprovado por Luana Myrrha, aponta que desde 2012, com a promulgação da PEC das Domésticas, algumas regulamentações contribuíram para reduzir as marcantes disparidades nos direitos garantidos entre trabalhadores, em geral, e os trabalhadores domésticos. Entretanto, apesar dos avanços, os mesmos não foram capazes de reduzir significativamente os níveis de informalidade nesta ocupação, deixando muitas trabalhadoras domésticas à margem dos direitos trabalhistas e previdenciários. E é preciso lembrar que essas mulheres realizam o trabalho doméstico de forma remunerada fora de suas casas, mas ele se sobrepõe ao trabalho não remunerado dentro de suas próprias casas. Afinal, o trabalho de cuidado e até o autocuidado é essencial para a vida humana, mas mais ainda: para o próprio funcionamento do sistema econômico.

Luana Myrrha e seus dois filhos (10 e 4 anos), Foto: arquivo pessoal

Segundo destaca Luana, “fica a pergunta: quem cuidará dessas mulheres quando elas mais precisarem? Qual o destino desse grupo ocupacional na velhice, em termos econômicos e de saúde?” Para ela, esses são questionamentos são muito relevantes, pois as fragilidades no marco regulatório e as condições de vida coloca em risco o futuro financeiro dessas trabalhadoras domésticas nas idades avançadas. Adicionalmente, é importante entender as condições de saúde das trabalhadoras domésticas situadas na faixa etária compreendida entre 50 e 60 anos, pois há necessidades emergentes de saúde e de cuidados específicos para as idades subsequentes, ponderou a professora.

Um edital de pesquisa exclusivo para mães pesquisadoras é uma iniciativa muito relevante para reduzir algumas desigualdades de gênero que, inclusive, estão em diálogo muito próximo com o tema geral das pesquisas conduzidas pela professora Luana Myrrha e das demais pesquisadoras que integram o Laboratório de Estudos de Gênero e População (LAEGEP), do PPGDem. O trabalho de cuidado e políticas públicas que entendam as demandas concorrentes que sobrepesam as mulheres no ambiente profissional são importantes não apenas para as pesquisadoras, mas para a sociedade como um todo perceber essas desigualdades e torna-las visíveis na prática cotidiana. “O maior desafio de ser mãe pesquisadora é a exigência de produtividade no contexto de escassez de tempo. O cuidado da criança exige esforço físico e mental. Entre outras coisas, a constante privação de sono dificulta o estudo e a concentração para escrever”, relata Luana.

Confira aqui o edital e o resultado final com as demais pesquisadoras contempladas.

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