Paradoxo migratório das metrópoles alagoanas: atração de curta distância, repulsão de longa distância

O estado de Alagoas possui nove Regiões Metropolitanas (RMs) instituídas, refletindo um fenômeno recente de expansão desses arranjos no interior do Nordeste. Uma publicação recente, de autoria do discente Ricardo Monteiro de Carvalho e da docente Silvana Nunes de Queiroz, ambos do Programa de Pós-Graduação em Demografia da UFRN (PPGDem), investigou a dinâmica populacional das duas principais: a Região Metropolitana de Maceió (RMM) e a Região Metropolitana do Agreste (RMA). O estudo buscou analisar se essas áreas realmente funcionam como metrópoles, utilizando como indicador-chave a atratividade migratória.

Utilizando microdados dos Censos Demográficos de 2000 e 2010, a pesquisa analisou os fluxos migratórios em três escalas distintas para os períodos 1995/2000 e 2005/2010. Foram medidos os movimentos inter-regionais (longa distância, trocas com outras regiões do Brasil), intrarregionais (média distância, trocas com outros estados do Nordeste) e intraestaduais (curta distância, trocas dentro do próprio estado de Alagoas). Essa abordagem permitiu identificar os padrões de ganho ou perda populacional em diferentes níveis geográficos.

Os resultados evidenciaram que, em ambas as metrópoles, o fluxo predominante é o intraestadual (curta distância). A RMM (Maceió) apresentou saldo migratório positivo nos dois períodos analisados, mas isso se deveu exclusivamente à sua capacidade de atrair moradores de outros municípios alagoanos. Em contraste, nos fluxos de média e longa distância (intrarregional e inter-regional), tanto a RMM quanto a RMA registraram perdas populacionais em ambos os períodos, indicando baixa atratividade em relação a outras regiões do país e do próprio Nordeste. A RMA só alcançou um saldo positivo no período 2005/2010, também graças ao fluxo interno do estado.

A pesquisa conclui que, do ponto de vista demográfico, as RMs de Maceió e, principalmente, do Agreste não apresentam características essenciais de uma metrópole. Um indicador fundamental de uma área metropolitana é a capacidade de interação e atração migratória em múltiplas escalas, algo que não foi observado nos fluxos de média e longa distância. Essas áreas exercem polarização apenas no contexto regional ou estadual. O estudo sugere que a criação dessas RMs pode ter sido motivada por interesses políticos, mais do que por critérios técnicos claros.


Leia o artigo completo aqui: https://doi.org/10.22481/rg.v9.17314

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