O artigo “Mortalidade por câncer do ovário nos estados do Nordeste e Sul do Brasil (1980-2019): efeito da idade, período e coorte”, de autoria do egresso Amadeu Clementino Araújo Neto, foi aceito para publicação na Revista Ciência & Saúde Coletiva, periódico científico editado pela Associação Brasileira de Saúde Coletiva (ABRASCO). Além do egresso, assinam a autoria do artigo a orientadora Karina Cardoso Meira, e os pesquisadores Juliano dos Santos e Rafael Tavares Jomar. O câncer do ovário representa o sétimo câncer mais incidente e a oitava causa de morte por câncer em mulheres. Em nível populacional, os diferenciais na incidência e mortalidade por esta neoplasia correlacionam-se com o envelhecimento populacional e com a redução na taxa de fecundidade.
Os fatores reprodutivos (nuliparidade, não utilizar anticoncepcional oral, nunca ter amamentado) são responsáveis por mais de 80% do risco atribuível populacional do câncer do ovário. Existem diferenças no perfil de incidência e mortalidade por esse agravo a depender do nível de desenvolvimento socioeconômico da região. Karina Meira, orientadora do trabalho, explica que o estudo teve por objetivo analisar o efeito da idade, período e coorte em estados brasileiros que apresentam diferenças importantes no comportamento reprodutivo das mulheres, Unidades da Federação do Nordeste e Sul do país no período de 1980 a 2019. O estudo representa uma contribuição ao Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das Doenças Crônicas Não Transmissíveis no Brasil (2022-2030), especificamente no componente de vigilância da mortalidade, fornecendo evidências para o planejamento e avaliação das políticas de saúde para a doença, conforme mencionado anteriormente nestes locais.
A taxa de mortalidade dos estados da região Sul foi 1,45 vezes maior que os da região Nordeste (3,75 vs. 2,59 óbitos por 100 mil mulheres). Em todas as localidades houve aumento progressivo das taxas de mortalidade com o avançar da idade. No entanto, houve diferenças no efeito de período e coorte. Nos estados da região Sul houve redução do risco de morte nos períodos de 2010-2014 e 2015-2019, e aumento do risco de nos estados do Nordeste. No efeito da coorte houve redução do risco de morte para as coortes de 1950-1954 a 1985-1989 nos estados da região Sul e aumento na região Nordeste. Esses resultados se correlacionam com os diferentes ritmos de transição demográfica e epidemiológica vivenciados por essas duas regiões, intrinsecamente ligados às condições socioeconômicas e ao acesso aos serviços de saúde.
“Mudanças no comportamento reprodutivo são desafiadoras de reverter, pois são o resultado da industrialização, urbanização e mudanças socioculturais que começaram a desafiar o papel das mulheres na sociedade patriarcal”, explicou Karina. Portanto, medidas de prevenção devem ser direcionadas a fatores de risco modificáveis, como tabagismo, dieta, sobrepeso e obesidade. É essencial facilitar o acesso a alimentos naturais reduzindo preços e promovendo a agricultura familiar, hortas urbanas financiadas pelo estado e controlando a publicidade de alimentos ultraprocessados. Isso deve ser associado à expansão do acesso a serviços de saúde e testes diagnósticos, priorizando mulheres com maior risco de desenvolvimento de doenças e áreas com desigualdades significativas em saúde.






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